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A SAUDADE É A NOSSA ALMA DIZENDO PARA ONDE ELA QUER VOLTAR...

segunda-feira, 31 de março de 2008

A hipopótama mais linda!


Um brinde:

aos bons encontros;
ao vinho no Maria Caxuxa e aos chás por todo o lado;
ao toureiro que lê Kafka;
ao Ramón Gomez de la Serna;
aos estacionamentos e aos rádios perdidos;
aos concertos e à confusão de Corações;
a Nova York (não te esqueças de voltar de visita, pelo menos);
ao tabaco de cereja que se enrola em cima da mesa, sem filtro;
às mãos que se apaixonam;
ao "cá estamos";
ao teatro;
ao nosso joão;
às runas e aos poemas que esquecemos;
aos óscares;
ao truque da garrafa;
a sermos boémias...

um brinde e um beijo para ti simplesmente Maria (como a fotonovela).

quinta-feira, 20 de março de 2008

Pelas três da manhã

Acabei de lavar o cabelo de joelhos e decidi pôr-me bonita para sair
Envolvi-me em palavras por dizer
Vesti aquele ser carinhoso que tu encontraste um dia
Pintei os olhos de negro e cinza de cigarro
Olhei-me ao espelho e sorri quando não me vi
Saí de casa e respirei fundo a poluição da noite
Parei para pensar e saiu-me uma música dos lábios
Decidi ir em frente sabendo que tropeçava nos papéis espalhados pelo homens do lixo
Cheguei à hora marcada por mim e não esperava nada
Bebi um Silvestre nesse bar desconhecido com música que cheirava a mofo
Olhei em volta e percebi que não era ali, fiquei na mesma, desfazada por não ser e aliviada por perceber
Esperei sentada, enquanto movia as ancas descadeiradas
Fiquei a ver as baratas a dançar o tango com pernas bambas
As palavras por dizer abandonaram-me e foram dançar com as ditas
O ser carinhoso apanhou um avião que passava ali ao pé e fugiu para outro país onde a música se canta noutra língua
Fiquei só negra, com a cinza de cigarro a pairar à minha frente
Cansei as ancas e voltei a casa para dormir.

terça-feira, 18 de março de 2008

Menina Craft

Ai... Ai... Já lá vai um certo tempo desde que isto foi feito.
Mas eu continuo a gostar muito desta pianista destrambelhada.

quinta-feira, 13 de março de 2008

sexta-feira, 7 de março de 2008

Estes dias ando com vontade de:

Fugir para a beira-mar e molhar os pés, enquanto me rio às gargalhadas;
Cantar desafinado depois de 5 cervejas;
Descobrir músicas novas para cantar desafinadas;
Besuntar os meus amigos de chocolate e cobri-los de beijos;
Ouvir, com os mesmos, as músicas do Variações;
Me rir de piadas parvas;
Dar abraços acidentais e acidentados de ternura (abraços grátis oferecem-se);
Discutir ferozmente sobre os Beach Boys, fazer as pazes ao som de T-Rex e concordar que Os Zombies são do caraças;
Beber vinho em companhia de amigos que tragam amigos que, por sua vez, sejam amigos de amigos que tragam mais amigos (pode ser em minha casa);
Andar de baloiço até ficar tonta;
Voltar a ver os filmes do Ed Wood;
Aprender a fazer surf (o resultado será por certo desastroso);
Que me leiam a palma da mão e me digam uma data de coisas idiotas que possa contar ao pessoal em tom de galhofeira;
Visitar a Índia;
Fumar menos;
Tatuar o Chat Noir algures (tatuagens só em número ímpar, segundo me dizem, e não quero ter azar);
Tomar banhos de imersão, com espuma, a ouvir música pouco calma;
Dançar o Like a Virgin da Madonna em roupa interior pela casa;
Comer panquecas com chocolate e bola de gelado feitas pelo André;
Experimentar, a sério, a bola de Pilates que anda para aqui perdida meia a fazer de cadeira extraordinariamente não aerodinâmica e pouco confortável;
Arrumar a roupa espalhada pelo quarto e descobrir coisas que já me tinha esquecido que tinha;
Ir à louca, de carro, até Madrid para passar o fim-de-semana e acabar em Roma sem saber como;
Voltar a trabalhar a sério em coisas a sério, estou farta da gelatina profissional semi-pronta;
Me deixar de merdas e voltar a ser mais eu!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Há frases que são da noite

Desconhecido de chapéu: Ela é um bocado espichada!
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F: Amanhã não faço nada; vou ficar em casa de pijama e robe a fumar cigarro atrás de cigarro.
S: Planeias, portanto, no teu dia de folga, matar-te devagar?
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S: Será que estamos a ficar velhos?
R: Não. Temos os nossos momentos de saudosismo, como qualquer pessoa tem.
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terça-feira, 4 de março de 2008

Tão simpática...

Um destes dias, em que não nos apetecia cozinhar, decidimos almoçar num desses cafés na Praça da Figueira, daqueles que cheiram a fritos; escolhemos o que cheirava menos mal, demos uma olhadela aos preços e ao menu, chegámos à conclusão que não nos faria grande mossa nem ao estômago nem à carteira e sentámo-nos na esplanada. Pareceu-nos tudo óptimo!
Mal acabámos de pôr o rabo na cadeira eis que, na mesa exactamente colada à nossa, se senta uma senhora de idade, muito bem posta, com ar fresco e sorridente, que nem pensou duas vezes antes de se alapar alarvemente. Olhámo-nos de soslaio e pensámos exactamente o mesmo: "Vamos ter conversa!"
Pedimos umas lulas recheadas, que ambos concordámos nem se aproximarem daquelas que as nossas respectivas tias fazem (será este um prato exclusivo de tia? Porque é que as mães nunca fazem as lulas recheadas tão bem como as irmãs?), falámos de trabalho, da arte e da vida em geral e secretamente, cada um para o seu lado, interrogava-se já com o silêncio da senhora que ali ao pé comia uma sandes de presunto acompanhada de um belo copo de tintol; ter-no-íamos precipitado naquele primeiro julgamento, será que ela não ía meter conversa? Que estranho, pensávamos.
Tirando a saída de ar, que estava ao nível das nossas pernas, ter entretando começado a soprar ar quente, num dia já de si estranhamente primaveril e quiçá um pouco febril, tudo estava óptimo.
Mas, eis que, nas mesas à frente, timidamente, um casal, todo em loiro e turista, pede para se sentar ao lado do cavalheiro que já lá se encontra, a ler o seu jornal diário. Ora aqui está o que deu o mote à nossa querida vizinha de mesa para encetar connosco uma bela converseta!
Soltou uma risadinha e disse:
-Ah! Estavam com vergonha de se sentar, se estivessem no estrangeiro nem perguntavam, aqui é que não há esse costume, mas no estrangeiro as pessoas nem perguntam, sentam-se e pronto. (Possivelmente não percebeu que eles vinham de facto do estrangeiro, mas isso é o de menos para a nossa pequena estória).
Concluímos, portanto, que a senhora, de sorriso matreiro e ar simpático, teria, nos seus tempos áureos, viajado bastante por essa vastidão que é o chamado estrangeiro (do Fr. étranger; adj. e s. m., que ou o que é de uma nação diferente daquela em que está; os países estrangeiros); daí ter-se sentado tão lampeira sem dizer nem àgua vai, nem àgua vem. Costumes de fora; mais cosmopolitas que os nossos.
A partir daqui foi todo um desenrolar de pequenos fait divers, vai-se a ver a senhora tem 80 anos (não parecia nada, muito bem conservada!), é viúva, tem uma empregada que vai lá a casa de vez em quando e que lava a louça, tem uma filha que é uma querida e que vai sempre almoçar e jantar com ela (se bem que por vezes lhe ligue com um certo peso na consciência a pedir para que a liberte dessa obrigação para poder jantar com uns amigos; ou como aconteceu nesse dia, em que, não só, ía ter uma conferência que lhe ocuparia a hora do almoço, como também o jantar). Entre novas risadas e depois de pedir uma sobremesa, explica-nos que até é bom isso acontecer porque assim pode cometer pequenos pecados, como, por exemplo, pedir aquela fatia de pudim, bem regado de suculento e doce molhongo, coisa que a filha não aprova, se bem que:
- Na minha idade já não tenho de me preocupar com a linha; e se formos a ver a minha filha também não me diz a verdade sobre tudo o que come, não acredito que coma peixe todos os dias ao almoço, às vezes deve comer carne. mas não me conta!
(Família estranha esta, que gosta de esconder pequenos e inocentes pecados!?!).
Entretanto, dá-se um alerta vermelho na esplanada!!! Carteiristas à vista! Um magote deles; esta gente não percebe o conceito de subtileza, juntaram-se uns cinco ou seis ali ao pé, ninguém se deixa assaltar assim, amigos, não insultem a nossa inteligência! Isto causou grande consternação entre os empregados do dito café e provocou, indirectamente, a queda do porta-moedas da nossa simpática interlocutora. Que eu apanhei do chão para não a forçar a vergar as costas.
A isto ela diz-me, meia a piscar o olho ao meu amigo (julgou-nos namorados, por certo):
-Você é muito doce, eu já cá ando há muito tempo e sei reconhecer as pessoas. Você tem uma doçura muito grande!
Agradeci, com o ar mais doce que consegui desencantar no momento- não a queria desiludir- e ponderámos pedir a conta antes que fossemos convidados a jantar lá em casa.
Quando finalmente conseguimos (a consternação anterior tinha alterado o bom funcionamento do estabelecimento) e começámos a debater os trocos para ver se dava certo, a senhora deu-me uma ligeira cotovelada, seguida de piscadela de olho e abanou a cabeça como quem diz:
-Não, não!
Primeiro julguei que aquela sinalética tão intíma, me quisesse dizer que eu não deveria pagar, antes esperar que o homem pagasse tudo; mas tendo em conta que tínhamos o empregado ali para receber não lhe dei a devida atenção. E de todas as formas já estávamos atrasados para a vida e não havia tempo para discutir a mudança de estatutos da mulher nos tempos que correm.
Mas, enganei-me redondamente; mal o empregado se foi embora (aliás um senhor muito simpático e atencioso, abençoado, hei-de voltar lá mais vezes) a nossa interlocutora passou a explicar-nos o sentido da sinalética, ela achou que íamos deixar gorjeta e estava a tentar, sub-repticiamente, dizer-nos para não o fazer.
Ora, isto porquê?
Porque, segundo ela, desde o 25 de Abril, que todos os assalariados/proletários/pobres exigem condições justas e alardemente dizem que não querem esmolas, só os seus direitos; sendo estas pessoas, com todas as suas exigências, muito más para os patrões, chegando- isto digo eu em liberdade poética- alguns patrões a ir para casa a chorar depois do dia de expediente; ora o seu querido esposo, o falecido, sempre foi patrão e vai-se a ver, passou as passas do Algarve com os seus empregados, com esses ranhosos (sendo que ranhosos também é liberdade poética da minha parte, não resisto a entusiasmar-me).
-Se não querem esmolas, também não levam gorjeta. E os meninos não deixem, aproveitem para vocês e para jantar nos "restaurants" (sim, usou do francês, que chique!) e para as vossas coisas, não dêem a estes. Não querem esmolas é porque o ordenado lhes chega bem... aliás agora qualquer empregadito tem carro e tudo, é porque recebem bem!
Neste entretanto, e depois de mais uma data de preciosidades do género proferidas pela nossa nova amiga, entreolhámos-nos incrédulos, com o surpreendente desenvolvimento desta conversa, tão amena até ali, fizémos o nosso sorriso 45, aquele que parece que estamos com prisão de ventre e levantámo-nos, o mais rápido possível, dissémos o nosso adeus e saímos dali com um grande amargo de boca e com uma data de coisas entaladas na garganta.
O que a senhora não sabe, nem nunca saberá, porque nós fomos suficientemente educados para não lho atirar à cara é que os nossos pais fazem parte desses raça de ranhosos assalariados/proletários/probres que sempre tiveram de lidar com os coitadinhos dos patrões; nós conhecemos perfeitamente a condição desses ranhosos que não querem esmolas, que trabalham 12 horas por dia ou mais, que são mal pagos e que exigem direitos que obviamente não merecem.
Os nossos pais, os nosso tios, os nossos avós, nunca saíram deste país (a não ser para trabalharem como cães para essas pessoas que habitam na imensidão que é o estrangeiro); não falam francês e nunca se sentariam sem pedir licença, falta do hábito cosmoplolita por certo; o 25 de Abril quase lhes passou ao lado, estavam demasiados preocupados com fazer dinheiro suficiente para comer; o carro foi pago com o suor do próprio corpo, não com a exploração do corpo dos outros; as nossas mulheres não têm empregadas que lhes lavem a louça e nunca viveram à custa dos maridos, sempre trabalharam, não porque precisem, mas pelo puro prazer de dificultar a vida aos patrões.
E mais, causa-me vergonha parecer tão burguesa que tenha de ouvir discursos como o seu, envergonho-me de parecer uma das suas!
E o que não lhe dissémos na altura, grito-o agora aqui: esmolas pode metê-las pelo cu acima minha simpática e fascista senhora!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Neoblanc gentil


Não seria maravilhoso se a nossa felicidade dependesse única e exclusivamente do facto da roupa nunca perder a cor com as lavagens?
Adoro os filmes publicitários de detergentes, dão-me esperança!