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A SAUDADE É A NOSSA ALMA DIZENDO PARA ONDE ELA QUER VOLTAR...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007




Festival 30 por noite
O nome das ruas
Teatro meia volta e depois à esquerda quando eu disser
11 (às 19h) e 12 (às 22h) de Janeiro 2008 no TeCA, Porto

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Era bom!

Hoje apetecia-me que as palavras me saíssem,
que os dedos corressem o teclado em passos de dança doidos,
e que tudo o que acontecesse fosse magia escrita, em palavras inefáveis e intocáveis.
Tenho tudo cá dentro! Juro!!!
Milhares de ideias alinhavadas e centenas de milhar de coisas para "dizer" de forma sedutora, inteligente, espirituosa e composta.
Mas elas hoje saem-me aos tropeços, empurradas umas pelas outras de forma desajeitada e bêbeda.
Logo hoje que me apetecia muito e estava disposta.
Merda para os nossos desencontros internos!
Não está a acontecer nada de especial... estou só a ser pateta.
Vou-me embora amuar para um canto e fazer de artista bloqueada.
P.S.: será que devo auto-mutilar-me um bocadinho para parecer mais verosímel a coisa de artista? Ou sair à rua, de mal com o mundo, e destratar os meus amigos mais frágeis?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Queria ser-te...


Queria saber encontrar-te...
...por essas ruas que eu sei que percorremos a horas diferentes, e esbarrar em ti enquanto trauteava uma das tuas melodias, tornando uma recorrência em acaso (sim; estou sempre a cantar-te).
Queria saber dizer-te coisas inteligentes; com aquela voz que têm os viajantes cansados e experientes; transportar-te para os meus caminhos com a sabedoria de amante-mulher.
Queria ser profunda e obscura, para que continuasses sempre interessado no jogo de tentar decifrar o enigma que eu fosse, sem que, no entanto, quiseses verdadeiramente tirar o véu que me cobrisse.
Queria olhar-te como se não tivesse nada a perder, enquanto soltava uma daquelas gargalhadas roucas e profundas, como só as senhoras do cinema sabem fazer.
Beijar-te para que nunca mais esquecesses o meu sabor, nem a forma dos meus lábios nos teus; de maneira a que mais nenhuma boca parecesse verdade depois da minha.
Queria que me fizesses uma música velada e disfarçada, que cantasses em surdina, sozinho, na penumbra do teu quarto. E que só eu soubesse que era ali, naquelas palavras que algo de mim se escondia.
Conversar contigo em silêncios, olhar-te, sentir-te, quase perceber tudo.
Queria ter-te, queria ser-te.
Impressionar-te sem me perder, sem fazer de outra, sem te mentir aquele bocadinho... aquele, logo no princípio de tudo, em que fazemos moldes de cera de nós próprios, que pintamos com cores mais vivas do que aquelas que temos.
Queria tanto...

domingo, 11 de novembro de 2007

Poeira

"embora não pareça, nasci na tua rua e compreendo-te, e se vamos morrer, juro-te que sou teu irmão, teu vizinho, o companheiro de escola que sempre te quis em silêncio"
Santiago Gamboa
in Tragédia do homem que amava nos aeroportos (Contos Apátridas)

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

É aquela merda...*

Lília: É o que eu te digo, daqui a uns anos, ainda vamos ser mais felizes e nos vamos rir desta (daquela) merda toda!
Sílvia: Vai ser uma barrigada de riso - bufa!!! - Já nos estou a ver, solteiras, tias dos filhos dos Malícias da vida e ainda a discutir quem amou primeiro, o ovo ou a galinha!!!
Lília: É pá, espera lá, deixa-me só fazer aqui um parênteses (leva chapéu de avô) ah... outro!... eu ouvi por acaso uma palhinha e fazer amor com o fundo de um copo??? Foi isso??!! É que nem parece nosso. A imagem de marca da(s) nossa(s) noite(s)! O que uma "aquela merda" foi buscar e eis que... ai um beijo...era nisto que já tinhas por algum acaso pensado nesta noite, nesta vida.
Aí chegaram elas, as que não nos deixam, que nos amam, é mútuo...e tráz pacotinho de açucar e tudo...
Sílvia: Bem haja... algum açucar, algum azedo, alguma coisa... era só isso que a gente queria; a mistura agri-doce! Mas sim... F*ª@-se! venha mais uma, um... o que a gente pedir, não o que a gente leva. Quero exigir e ter, sem esperar, sem ter de pedinchar de joelhos... Bem haja o que não exige e dá, bem haja o que quer e tem, ai também vou fazer um (esta tá forte como o raio!!!). Amén! (ver a foto das virgens na regaleira...)
Lília: (em vários parênteses...) (mete-lhe açucar...) (mais ó raio dos brazucas aqui atrás. Diz esta que pegou quinze à noite, ainda dizem que está mal.) Vá lá, continua lá, vááááá... SIM TOU E ENTÃO?
Sílvia: Pois estás e muito... Não podes pegar no carro assim... LOL XD!!!! AI.... também tou!!!
Lembrete: Fazer caras para o XD.
Sílvia: Deixas-me falar grande caralho! Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.... Faz-me um cigarro antes que te dê outra murraça na mama! A gente começou bem, mas tá a descambar... Onde é que tá o ovo? Onde tá "aquela merda"? Ai, desculpa, não está, nós é que estamos nela. Temos o quê? Fazes-me a merda do cigarro com a tua Sílvia? ...da-se que não se pode contigo, a tua sorte é que gosto do teu mau-feitio... Homem? Tás parva???? Alguém nos pega... Com este mau-feitio abençoado que temos as duas; ainda por cima juntas, é a dobrar! (Ai os brazucas... Já me estão a chatear, agora tão a falar da mãe e a gente a tentar ser criativa!!!)
(Lília não quer escrever, tá a tirar fotos.)
Sílvia: Anda lá, tanto chateaste agora escreve...
Lília: Aí filha (é mesmo assim)... eu ja não tenho nada para escrever... deixo cá o carro, né isso? olha a ti só te desejo menos de quatro anos... pronto...vá...
(LÍLIA TECLANDO NA MESA)
Lília: Diz-me a outra: ai f***-se, não está acontecer nada! Digo eu: aaaaaiiiiiiiii, que tenho de ir levantar dinheiro!
Sílvia: Então, vai lá, vamos acabar o cigarro... Ai, que tenho de arranjar isto tudo... ai jesus, ai meu deus...
Rui: foi? Então...!
(Ai, que alguém se meteu na conversa) x2
Sílvia: Onde é que tá o vezes?
Lília: Até pareces eu... Vou mijar. Então e não fazemos referência ao meu cabelo pintado só no alto da pinha - não te rias - pronto ja tá a referência feita. (a brazuca teve cólicas e a minha palhinha tá entupida... puta de vida!) e pronto estamos imortalizadas, nisto, através desta noite, dorme bem e nao me sujes a almofada... e assim me vou, acabar a minha e comer qualquer coisita, assim me vou igual como vim.
Sílvia e Lília: E temos dito.
Brazuca: E a cervejita gostosa no fundo da barriga.
(Toda a gente se mete nesta conversa, é aquela merda...)**
*texto escrito a muitas mãos
**mas sempre com um sorriso

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Em desfocado...


... à procura!
Um dia havemos de encontrar amiga.
Um dia, a calcorrear uma das nossas ruas, no bairro (com direito a cambalhota), em Évora (com a caipirinha), no Porto (com nevoeiro), na Nova Zelândia (com os sonhos)... vamos encontrar o que os olhos querem ver e o que a alma pede.
Quero-te ver feliz!!!
Beijos mau feitio

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Quero levar-me demasiado a sério...

Até hoje, sempre prezei muito o facto de não me levar demasiado a sério; era uma questão de orgulho não o fazer; mais, uma questão de sanidade; quando não nos levamos assim tão a sério ao ponto de começar a achar que podemos acabar com a fome no mundo ou que conseguimos criar um novo sistema político-social mais válido (um que não inclua nem uma segurança social pouco segura, que come a cabeça ao pobre, nem recibos verdes) somos capazes de perceber melhor o nosso lugar no mundo, sabemos o nosso tamanho e se calhar até acabamos, de facto, a fazer coisas válidas, porque o nosso foco de atenção não está em sermos sérios, mas em levar o que se passa à nossa volta a sério.
Saber rir de nós próprios também ajuda (quem se leva demasiado a sério por norma não se sabe rir, não tem ponta de sentido de humor... Abençoados!). Rir é terapêutico e ajuda a ultrapassar muitas das paranóias inerentes à qualidade de ser humano. Por exemplo, sempre apreciei, na minha pessoa e nas outras, a capacidade de rir se escorregamos na lama e acabamos estatelados numa poça de água em público, ou se por acidente espirramos violentamente para cima daquela pessoa que ainda há 10 minutos estávamos a tentar seduzir com o nosso olhar 44, aquele que se ensaia à frente do espelho e que envolve pestanejar de forma sexy, e estamos a falar da pessoa que já vizualizávamos como o pai dos nossos filhos, não de um mafarrico qualquer. Obviamente a ideia é que desta forma o resto do mundo se ria connosco e não de nós!
Mas hoje mudei de opinião.(Se bem que ideia já andava a germinar à um tempo, não foi assim tão súbita a mudança.)
E mudei de opinião porque comecei a perceber que o mundo adora pessoas que se levam a sério... O mundo adora ouvir a opinião e beber as palavras de quem se leva a sério... Adora a seriedade demagógica, o egocentrismo e o egoísmo de quem se leva demasiado a sério... Adora odiar quem se leva demasiado a sério!
Basta olhar à volta para constatar esta realidade; se ligarmos a televisão vemos lá uma data de pessoas a dar a sua opinião inútil, em programas inúteis, de forma séria, televisão que, no entanto, toda a gente continua a ver; se vamos a um posto médico porque se nos inflama um ovário, por exemplo, e esperamos 4 horas para ser atendidos, acabamos por encontrar um/a senhor/a doutor/a que se leva demasiado a sério, mas que não nos leva nem a nós nem às nossas maleitas a sério, e que com sorte ainda nos bufa por termos lá ido interromper um qualquer momento de seriedade que estivesse a ter consigo próprio, no entanto o estatuto de doutor ainda intimida muita gente o que faz com que nunca nos queixemos de ser tratados como gado nas mãos destas pessoas tão sérias.
Aliás quantos de nós não convivem, na intimidade do nosso círculo de amigos e conhecidos, com uma ou outra pessoa que se leva demasiado a sério; daquelas (lá está!) que nunca se riem das piadas, e que ficam ofendidos com quem as faz; e que expressam sempre posições muito fortes e importantes sobre: o estado do mundo, da arte, da economia, da comida, do preço das corridas de táxi, etc., etc., etc. Que são tão sérios, tão sérios que nos irritam ao ponto do frémito de vómito, primeiro porque passam mais tempo a pensar na seriedade com que têm de expor todas as suas opiniões do que a tentar mudar alguma coisa, segundo porque ninguém atura sempre gente que está constantemente zangada com o mundo (as pessoas que se levam demasiado a sério são, por norma, umas grandes furiosas dramáticas, com grandes raivas interiores!), mas a verdade é que continuamos a partilhar a vida com algumas pessoas destas e a levá-las a sério! Quanto mais não seja mantêmo-las por perto para nos lembrarem de porque é que não somos tão sérios e chatos quanto eles e depois porque é sempre um prazer revirar os olhos enquanto os ouvimos.
Mas a verdade é que estas pessoas causam impacto!!! Nunca se fica indiferente a quem se leva demasiado a sério, e quer queiramos quer não acabamos a dar-lhes atenção (algumas vezes sob coacção física, que esta gente é perigosa e sabe fazê-la bem!).
Foi por causa de tudo isto que mudei de opinião... Quero ser ouvida, quero ser irritante, quero que vão para casa a falar de mim, bem ou mal, não importa! E acima de tudo ter essa sensação magnífica de que o mundo gira à minha volta ao mesmo tempo que está contra mim.
Está decidido! Mal acabe de escrever isto vou tornar-me uma pessoa que se leva demasiado a sério... E depois, obviamente, vou escrever outro texto, mais sério, em que discutirei uma qualquer parvoíce ainda maior do que esta, mas com muita seriedade intelectual e com algumas nuances emocionais que podem variar entre a melancolia séria e a zanga interior, também ela séria.
Espero irritar-vos bastante...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Sobre o sabor das cerejas...

Mordi-te porque quando te beijei o ombro me lembrei do sabor das cerejas!
A sensação da tua pele na minha boca trouxe-me de volta a memória de um dia de chuva, há muito tempo atrás, quando ainda não conhecia o teu sabor, só o das cerejas... Um tempo em que não sabia sequer que alguém pudesse saber assim, especificamente a cerejas num dia de chuva.
É tão raro comê-las em dias assim!
Foi num daqueles junhos nortenhos em que o céu está carregado de nuvens, em que no ar sentes uma estranha electricidade, que arrepia os cabelos da nuca; e que, se fechares os olhos e ouvires com muita atenção, consegues sentir na pele os múrmurios de vozes longínquas arrastadas pelo vento, carregadas de desejos... Eu não saí nesse dia, recusei um convite de cinema para ver uma qualquer película americana destinada a adolescentes apaixonados e preferi ficar sozinha à espera da chuva que me era prometida.
E ela chegou, com um trovão de aviso, primeiro em bátegas fortes e carregadas, como uma amante furiosa que bate nos vidros e exige entrar, suave depois, transformando a sua voz no lamento de quem foi deixado à sua sorte sem amor.
Quando a chuva serenou abri a janela e deixei-me ali ficar, nem sei por quanto tempo, com a água a bater-me na cara; a reconhecer o cheiro da terra molhada e a comer cerejas maduras; a experimentar, como se fosse a primeira vez: a textura da cor vermelha nos meus dentes, na minha língua; o quente do fruto, o frio da água e o cheiro cru da terra.
E este é o sabor da tua pele na minha boca, por isso não resisti a morder-te o ombro depois do beijo. Precisava de ter a certeza, de saber da tua cor nos meus dentes, da tua textura; para guardar, sem equívocos, o teu paladar e cheiro nas minhas memórias e para me relembrar do sabor das cerejas num dia de chuva.

domingo, 30 de setembro de 2007

Paraíso



Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.


David Mourão Ferreira

Não vou estar.

Se me ligares amanhã, não estou...
Como antes, lembras-te? Em que te ligava para casa e me escapavas por segundos! Amanhã sou eu. É a mim que perdes por segundos. Sem estas coisas de agora, telemóvel, internet... Nada. Vou sair nua de casa!
E tu vais ligar e alguém te vai dizer que saí, mesmo agora, sem aviso, e que me deixei ir sem desligar o comunicador móvel da corrente, que o deixei abandonado a um canto, injuriado e inútil... Nunca precisámos de nada disto para nos encontrarmos; nem para conversar, nem de palavras às vezes.
Lembras-te que nos desencontrávamos sempre, que acabávamos perdidos sozinhos pela cidade, à beira rio muitas vezes, cada um para seu sítio. Mas que eu sabia que estavas à minha procura, e eu à tua; e sentia-te, sentia os teus olhos no meu corpo, sentia as tuas mãos a puxar-me para ti... e tu, que sentias a minha boca na brisa que passava, a minha vontade na chuva...
E de repente, lá estávamos, frente a frente, surpreendentemente sem surpresa, a olhar um para o outro. Eu sorria, tu baixavas os olhos e murmuravas uma música qualquer que eu sentia no sangue sem ter de ouvir... E tu abraçavas-me e eu já não sentia o sopro gélido da madrugada nem o frio do rio.
Amanhã ligas? É a tua vez.
Vou sair nua; à espera de te sentir à minha procura; noutra cidade, noutro tempo; perto de outro rio!
Não te esqueças...
Até já, vêmos-nos na madrugada de amanhã.

sábado, 22 de setembro de 2007

Say goodnight and go


"Skipping beats, Blushing cheeks.

I am... struggling..

Daydreaming,

Bed scenes in... the corner cafe

And then

I'm left in bits recovering tectonic... tremblings

You get me every time.

Why'd ya have to be so cute?

It's impossible to ignore you..

Must you make me laugh so much?

It's bad enough we get along so well..

Say goodnight and go.

Follow you home,

You've got your headphones on

And you're dancing

Got lucky;

Beautiful shot:

You're taking everything off

Watch the curtains wide open

And you're following the same routine;

Flicking through the TV, relaxed and reclining
And you think you're alone..

Oh, why'd ya have to be so cute?

It's impossible to ignore you,
Must you make me laugh so much?

It's bad enough we get along so well..

Say goodnight and go.

One of these days,

You'll miss your train,

And come stay with me...

We'll have drinks, And talk about things and,

Any excuse to stay awake with you...

You'd sleep here,

I'd sleep there,

But then the heating may be down again,

At my convenience...

We'd be good,

We'd be great together...

Go (sigh)

Why'd ya have to be so cute?

It's impossible to ignore you,

Must you make me laugh so much?

It's bad enough we get along so well..

Say goodnight and go.

Why's it always always:goodnight and go?

Oh, Darling not again,Goodnight and... go..."


Imogen Heap
in the Speak for yourself cd

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Procura-se mundo habitado para relação "séria"...



Pessoas:

o mundo anda carente, sozinho, precisa de abraços e beijos; de amigos... o mundo anda a levar-se muito a sério e anda sisudo! Anda cabisbaixo e sem ânimo, está como nunca o vimos...

Alguém conhece um outro mundo jeitoso, habitado e, se possível, solteiro que possa fazer as alegrias do nosso?
Um que saiba o que quer e nunca tenha dúvidas (pelo menos não daquelas que dão dores de cabeça, pode ter dúvidas com relação a que restaurante vão ou que cd pôr), um que não tenha medo de amar (no sentido maior da coisa, obviamente, não precisa de ser aquele amor que dê mundinhos "piquenos" para encher mais o universo; mas daquele descomprometidamente comprometido a ser!), um capaz de fazer palhaçadas daquelas que fazem rir muito, que saiba dar cambalhotas e que goste às vezes de ver filmes chatos só porque o nosso mundo quer.

Um daqueles que adore ver a lua cheia em silêncio, que conte anedotas parvas e que discuta coisas filosóficas como se não importassem. Um planeta que goste de Buster Keaton (esta é uma claúsula essencial) e que goste de dançar mesmo que não tenha sentido de ritmo!
A alguém ocorre alguma possibilidade?
Se entretanto se lembrarem de um que ande por aí perdido, que vos pareça uma boa parelha para o nosso, deixem mensagem por aqui que eu passo ao mundo.
P.S.: Não se esqueçam é que tem de ser habitado; que nós pessoas também agradecíamos uns abraços.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Sabe-me a sangue!


Tenho 28 anos e está-me a nascer o dente do siso, por isso me sabe sempre a sangue! Todos os dias este sabor metálico, como se andasse a usar como lollipop uma barra de protecção das janelas do rés-do-chão de alguém. Depois as dores de ouvido, o desconforto da gengiva, a estupidez da língua que insiste em saborear a carne magoada, propiciando caras torcidas e mais algumas "rugas de expressão"... Não há paciência para esta mariquice!!!

Tenho 28 anos!!! Isto não devia aparecer aos15? Surgir como mais uma maleita inevitável da adolescência, ao lado das borbulhas, do período e da falta de interesse do sexo oposto (ou do mesmo) por nós?

Além de que se pensarmos no inútil da situação isto ainda fica pior. Estes não são os dentes do juízo? Então que me adianta este juízo tardio, já com tantas decisões importantes tomadas? Se eu tivesse juízo aos 15 ou 16 anos hoje não era actriz... Era médica! (a trabalhar num hospital em espanha).

Já estava casada; com 1,2 filhos; usaria bejes e caquis (ao invés do vintage emaús, que tanto desilude a minha santa mãezinha), faria férias em punta cana e rir-me-ia de piadas ordinárias sobre loiras e gays. Agora já é tarde para usufruir de tudo isto.

As oportunidades fugiram-me com a falta de juízo inerente à falta de dente do siso! E ainda por cima sabe-me mesmo muito a sangue...

sábado, 19 de maio de 2007

"Quanto mais me baixo...

...mais me vêem o cu!"

quinta-feira, 19 de abril de 2007

A coquette, a freak e a estúpida!!!














Freak! Freak! Freak! Dizias tu, com esse teu ar aprumado de sabichão bem vestido que tão bem te fica; cada vez que ela passava com o casaco de malha a cair por ela abaixo, com aquela imitação rasca de cabelo à "Blondie" e com a sapatilha da moda, gasta em casa para parecer comprada em segunda mão.
Atrás a estúpida, a que não parava de falar, da vida dela, da dos outros, aquela? Lembras-te? Que não parava de lançar opiniões sobre a vida alheia em tom suficientemente alto para que toda a gente ouvísse e pudesse apreciar.
E eu? Perguntei. Também tenho um bocadinho ar de freak e às vezes também sou estúpida...
"- Tu? Tu és uma coquette! Com esses brinquinhos e com essas pulseiras não enganas ninguém..."
Obrigada...

Você não entende nada

"Você tem que saber que eu quero correr mundo
Correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo"

Caetano Veloso

Eu quero sair amor...
Não, não quero ir sair... quero sair... daqui!
Quero ir correr mundo como diz a canção; percebes?
Quero ver o que está do outro lado do espelho; nos outros sítios onde as pessoas andam de cabeça para baixo, falam línguas estranhas, correm para apanhar autocarros de outra cor e onde as casas têm janelas como portas. Quero perder o medo das alturas nas montanhas dos outros; percebes? Aqui já não consigo.
Sim; aqui não consigo perder o medo das alturas!
Porquê? Porque aqui nada é suficientemente alto.
Aqui andamos sempre a olhar para o chão, com medo de tropeçar e eu quero tropeçar enquanto olho para cima! Aqui não me deixam tropeçar!
Sim, sim... Que raio de conversa! Ouve...
Quero ver a Gioconda a sorrir só para mim; quero ver os teatros do mundo e quero ver cinema num barco no meio do mar, e já que falamos em barco quero passar por cima daquele grande que afundou há muito tempo, aquele do iceberg, sabes qual é?
Sim, esse.
Não te apetece correr o mundo comigo? Não te queres perder no deserto e encontrar camelos a sério, daqueles que têm duas bossas?
No jardim zoológico não é a mesma coisa, não me gozes. Estou a falar a sério!!!
E mais, um dia (depois de já terem passado muitos, não é logo), quero ter saudades da minha língua, da super bock e do meu mar; quero ter saudades do fado enquanto tomo bebidas esquisitas por uma palhinha! Um dia desses até podemos voltar! Se nos apetecer mesmo muito...
Saímos? Vamos?
Então... responde?
Não durmas. Ouve...



terça-feira, 10 de abril de 2007

O estado das coisas

Estava para aqui a pensar na vida... A fumar uns cigarros... A pensar sobre o estado das coisas... A penar com o estado das coisas.
Procurei na net: o estado das coisas; descobri o site de uma banda gaucha, um blog com a vida de uma pessoa, uma notícia do Expresso sobre o estado das coisas e o PS... Fiquei a saber o mesmo!
Falei com uns amigos, sobre o estado das coisas, uns disseram-me:
- Ó mulher! Não te chateies com isso, vais morrer cedo!
Outros:
- Vai pó c*%$»@o! Nem me fales nisso, que me fazes morrer cedo!
Fiquei a saber o mesmo!
Perguntei a uns estrangeiros que encontrei que tal para eles o estado das coisas; saltaram por cima da questão e só queriam falar sobre o preço da cerveja em portugal (é muito barata e tudo o mais, as casas também muito baratas e que pitoresco que é tudo, as ruas todas a subir e descer que estafa e que espanto falam quase todos inglês e tudo, que civilizado este país à beira mar plantado!!!). Nem é preciso, mas repito: fiquei a saber o mesmo!
Aqui decidi abandonar o abrangente e passar para o plano pessoal; pus-me a pensar no estado das minhas coisas!
28 anos; actriz (ó profissão malvada e malfadada neste país à beira mar plantado); com uma casa alugada a quatro (sim, que as casas só são baratas para os estrangeiros); dois empregos; uma companhia de teatro sem dinheiro que alimenta a sua arte com o sangue dos resistentes; um olho pisado, não porque, ainda por cima, leve porrada, mas porque sou tonta e não tenho consciência do espaço (fui sempre em frente sem travar, contra um charriot); uns pais maravilhosos, mas que ainda não percebem porque é que a filha deles não tem um curso "normal" e ainda não lhes deu netos; uns conhecidos que acham uma piadona ter na sua carteira de relações uma pessoa tão "fora" que até faz teatro e "- vê lá se arranjas uns bilhetes de borla para vermos umas coisas giras, mas nada daquelas merdas intelectuais que vocês fazem, uma cena leve, tipo Morangos com Açucar versão porno!"...
E estava eu nisto... A pensar e a penar com o estado das coisas do mundo e com o estado das minhas coisas... Deliciada com a minha miséria e a lambuzar-me de auto-comiseração, quando de repente e do nada (isto não se faz!), um perfeito estranho me oferece um gelado! Um Magnum Colombia Aroma (passo a publicidade, mas experimentem que é bom); e não se iludam, cépticos da humanidade, este pequeno presente não vinha com expectativas coladas, ele (o estranho) não me queria comer, não queria comer uma amiga minha, não queria comer um amigo meu, não queria que lhe fizesse uma sandes, não queria que lhe cortasse as unhas dos pés, não... só me queria oferecer um gelado!
E aqui eu parei!
- Espera!- disse eu a mim própria, que eu gosto de falar comigo, entendo-me melhor asssim - Estás tu para aqui a queixar-te da vida e a penar com a existência e com o estado das coisas e vem este senhor oferecer-te um gelado? Olha lá, moça, que gesto bonito e sem segundas intenções! Tu que estavas aqui prestes a cortar os pulsos virtualmente, és surpreendida por uma coisa destas... Pois não achas que devias pensar um bocadinho e daqui tirar uma lição?
E eu, que por norma acato sempre as minhas sugestões, pus-me novamente a pensar.
E cheguei a uma conclusão: Que se foda o estado das coisas!
Enquanto tivermos estranhos que nos ofereçam gelados, enquanto defendermos as nossas escolhas com orgulho, enquanto tivermos sangue na guelra e força nas pernas e acima de tudo enquanto tivermos à nossa volta pessoas que fazem por nós pequenas coisas, sem segundas intenções; umas porque não nos conhecem e lhes apetece, outras porque gostam de nós assim, como somos, sem mais nada (mesmo quando temos um problema de consciência de espaço e andamos sempre a esbarrar em tudo); o estado das coisas é secundário!
O governo pode ir para o raio que o parta, os subsídios podem ir para o diabo a quatro, os ignorantes podem implodir, o país pode ser vendido aos espanhóis... Mais importante que o estado das coisas é ter pessoas a quem perguntar por ele e ter amigos que nos mandam para o real caralho quando começamos outra vez com a merda da conversa chata e que nos trazem de volta a terra quando já estamos a voar por cima de nós próprios!


P.S.: Pai, mãe, não sei quando, mas prometo pelo menos dar-vos netos.

Adiado

Foda-se... acabaram-se-me as mortalhas...
Eu aqui, frente ao ecrã, armas em riste, ou melhor dedos aquecidos e estalados, preparada para ser profunda e escrever sobre a vida (juro, ía ser profunda), preparada para dissertar sobre a situação da vida, da minha e da dos que me rodeiam, que gosto de ser abrangente.
Preparada não preparadíssima, até estava a ouvir GNR ("Morte ao Sol" que não há melhor música para ser profunda!!!). E sou atraiçoada por mim mesma, pela minha falta de prevenção.
Não consigo escrever, e ainda por cima ser profunda, sem fumar!
Bem, fica pra outro dia.

sábado, 7 de abril de 2007

"I do not regret one professional enemy I have made. Any actor who doesn't dare to make an enemy should get out of the business."
Bette Davis


Maravilhosa!!! Quero ser assim um dia destes, quando for grande... Quando tiver coragem, quando for dia, quando souber agarrar tudo com unhas e dentes, quando puder ir sem medo, quando for momento, quando perder tudo, quando ganhar ao jogo, quando encontrar um Fellini perdido nas ruas do mundo, quando me encontrar nas ruas do mundo, quando for grande... quero rir-me assim!

Apeteceu-me...

Pois... É verdade... Apeteceu-me... Deu-me as ganas... Se os outros têm também quero!
Agora, mais ao menos, a sério. Não sou pessoa de grande paciência "internetico-cibernaútica", mas a ver se aguento este blog.
Ainda não sei o que vai sair daqui; textos inspirados, opiniões parvas, opiniões profundas (esta tenho as minhas dúvidas, mas, a ver pelo pelo caminho), poesias, delírios, pequenos prazeres, grandes prazeres (e como gostamos destes), de um tudo ou se calhar nada de jeito... Quem me conhece logo me há-de perdoar o que possa sair, quem não conhece... bem aguentem-se ou não apareçam por cá!

Para introdução já me basta. Até já!